Em 2004 a Manvia Condutas reabilitou a primeira Passagem Hidráulica (PH) sob uma autoestrada por processos sem abertura de vala. Foi na A8 e a empreitada, projetada e executada pela Manvia, compreendeu a reabilitação por entubamento simples de uma PH circular de 1000mm de diâmetro interno em betão armado com aproximadamente 57 metros lineares de extensão. O entubamento foi realizado com tubagem de polietileno DN900 e todo o volume remanescente foi preenchido com calda de cimento.

Com o progresso da tecnologia CIPP (Cured in Place Pipe), o Encamisamento Contínuo empregando manga de material compósito de matriz de resina polimérica reforçada com fibra de vidro, tornou-se a metodologia mais comum empregue na reabilitação de PH com diâmetros internos inferiores a 1500mm.

O Encamisamento Contínuo é um processo de reabilitação estrutural (a manga pode ser calculada para resistir a todas as solicitações estáticas e dinâmicas existentes) que consiste na cura in situ de uma nova tubagem de plástico reforçado com fibra de vidro (PRVF), podendo aplicar-se a todas as PH independentemente do material em que foram originalmente concebidas (betão, aço corrugado, etc) dentro do limite dimensional definido no parágrafo anterior.

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O resultado final consiste numa tubagem nova, estruturalmente resistente e hidraulicamente mais eficiente, em PRFV sem qualquer união, junta ou costura desde o emboquilhamento montante ao emboquilhamento jusante.

Recorrendo a esta tecnologia foram, desde 2016, reabilitadas pela Manvia 7 PH de diâmetros entre 800mm e 1300mm com comprimentos muito variáveis. Estes trabalhos foram executados nas vias A29, A7 e A41.

No final do processo de cura in situ no novo material são recolhidos provetes que se destinam à execução de ensaios laboratoriais que visam determinar a resistência da nova tubagem de PRFV e logo a estruturabilidade da solução final.

Em diâmetros até 1500mm a solução de Encamisamento Contínuo compete com a solução de Entubamento Simples, usualmente com tubagem de PRFV produzida em fábrica, com vantagem clara para o processo de Encamisamento Contínuo, nomeadamente:

  • Como a manga se molda ao diâmetro da tubagem existente a secção hidráulica final é superior no Encamisamento Contínuo face ao Entubamento Simples – que requer um espaço anelar para que seja possível introduzir a nova tubagem na PH existente;
  • Não havendo espaço anelar deixa de ser necessário preenche-lo com argamassa/calda de baixa resistência, como acontece com o Entubamento Simples;
  • Com menos tarefas a realizar o Encamisamento Contínuo é usualmente mais rápido de aplicar que o Entubamento Simples.

À semelhança da sua utilização na reabilitação de redes de drenagem doméstica e pluvial, em que a experiência é já muito vasta, também na reabilitação de PH o Encamisamento Contínuo demonstra ser um processo vantajoso do ponto de vista técnico e económico para as concessionárias de vias de comunicação.